Projecto Vercial

Tratado de Confissom


O Tratado de Confissom é um dos primeiros livros impressos em língua portuguesa. Foi impresso em 1489 em Chaves, provavelmente por impressores castelhanos. A obra é um pequeno tratado sobre a confissão, para instrução do clero com cura de almas acerca da melhor forma de administrar o sacramento da penitência. Desconhece-se o seu autor. Pelos castelhanismos existentes no texto, é provável que a obra tenha sido traduzida de uma outra em castelhano. Até 1965, não há qualquer notícia da existência da obra. Nessa data, é descoberto um exemplar, o único encontrado até ao momento e que se encontra na Biblioteca Nacional. Pina Martins publicou em 1973 uma edição do texto com um estudo histórico-cultural e José Barbosa Machado publicou em 2003 uma nova edição acompanhada de um estudo linguístico.




Tratado de Confissom

DO PRÓLOGO

Todo iuiz e prelado da scta igreia pera seer boo iuiz e manteer bem seu estado deue a seer dereyto e auer dereyta emtenom em todalas coussas que fezer e iulgar. E esto aparece per muitas razoos e semelhas, ponhamos segumdo dize Aristotiles. Se algum da semtema dereyta empero que n ha a emtom dereyta mais daa por medo ou peita ou por amor do outro, tal iuiz como este n he dereito iuiz, ainda que dee a sentena dereita, porque a n da com dereyta emtom. Veemos nos aynda nas cousas corporaaes que aquella cousa que dizemos dereita, que ha todallas partes iguaaes e non se inclina mais da ha parte que da outra o quall iuiz deue asi seer dereito que em nenha maneyra nem por nenha rezom n se inclinar mais a ha parte que a outra. E por eso diz St Bernardo: Deus deu ao homem corpo e estatura dereyta pera lhe dar a entder que deue a guardar e teer dereyto em todallas cousas e como quer que dito he, todo iuiz deue auer sempre em iulgamdo dereita emtemom empero sem esta dicta emtemom deue a confirmar com aquellas cousas que dereyto s scriptas e te ell for alegadas. Onde diz Santo brosio que o iuiz quando uyer ao iuizo n deue a iulgar segdo a cciencia e uoontade que trouuer de sua casa mais segdo as razoos e os dereitos que for em iuizo perante ell alegados. Onde se hu hom ante algu iuiz he acusado de alga cousa falsamte, empero suficientemente lhe he prouado per falsas testimunhas en tal caso segdo os doutores diz. O iuiz se pode achar algu caso pera o liurar apodo alga cousa ctra as testemunhas para o seu testemunho n ualer podeo fazer. Se n se tender que he mais segura cousa pera o acusado, deueo a inuiar a outro iuiz mayor. Se sabe que per ell sera liure e se n peca se n da stena ctra ell segdo as razoos que forem alegadas ante ell, como quer que o faa contra sua emtom e ctra a uerdade que en outra maneira sabe n como iuiz. Ca tall n condepna ell, mais aquelles que ctra ell der aquel falso testemunho. E se outra maneira o iuiz da senta ctra concicia e contra dereito e em periuizo doutro por amor ou por peita, fica sospso do oficio por hu ano e he theudo dentregar a outra parte quto per sua stena perdeo e demais se he oficiall na igreia, he irregular e n pode seer absolto senom pollo papa de Roma segdo diz a degratal.

Segdo diz os sctos cada hu iuiz e moormente eclesiastico t firme e tan estauell deue a seer iulgdo dereito que n deue a leixar a iulgar todo aquello que dereito for por medo de pessoa que no mundo aia, n por periigoo que lhe ende posa uiir, nem por amor n por peita n por odio, que algu aia ca estas quatro cousas s porque algas uezes algus iuyzes nom iulg dereito cuem a saber temor, cobiia, et cetera, unde uersus quatuor ista timor, odium, dilectio ssus, sepe solt homin peruertere ssus. Onde b deue a parar mtes todo iuiz e deue saber segdo diz um degredo que se alga sta da contra dereito por alga destas cousas ou por outra quallqueer que tende, deue a tregar aquell comtra que deu a sentena todo aquello que per ella perdeu saluo se fezese aa outra parte que lho tregasse e demais segumdo as leis dos emperadores he theudo a outras muitas penas. E este tall por este pecado deue a receber mui grde peemdema.



Voltar à página inicial

Site apoiado pelo Alfarrábio da Universidade do Minho | © 1996-2015 Projecto Vercial