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Literatura


O MAR DE PAULA

de Jorge Tinoco

«Observo ao longe no horizonte, para lá do papel, as pequenas silhuetas dos barcos que partem e me interpelam dos tantos portos que existem depois do que não podemos ver ou entender perenemente, depois do que não sabemos definir como ausência ou persistência, como voz perceptível de povo indígena ou gente mítica. De forma que experiencio, como que outra vez numa só vez, as mil vezes diferentes em que fui feliz aqui, nesta verdade enredada ou neste enredo da verdade, junto às ondas que nunca se interrogam se são água ou maré ou espuma ou loucura ou invenção...

Que me importa então o que sou, se tenho, ainda que transitória ou volátil, esta ciência sabida de que só a falta de amor e companhia nos assombra e adoece, nos atribula o vazio que em lugar de sentir interroga em demasia a intensidade do abraço? Que me importa, pois, quando por outras palavras o repito que, mesmo que eu fosse ficção, esta experiência da mulher e do afecto me bastaria para justificar a criação da vida? Por isso é apenas novamente o mar de Paula que revejo a esta hora bendita das gaivotas sobre as rochas! E, no outro lado de tudo, na outra metade do nada: o que será Susana, o que serão as miúdas, o que será Paula, o que serei eu, o que serás tu, o que seremos todos no coração dilacerado dos capítulos, no ventre insondável das páginas?»

capa de 'O Mar de Paula'
Título: O Mar de Paula
Autor: Jorge Tinoco
Género: romance
Edições Vercial, 2010
Nº de páginas: 124
ISBN: 978-989-8392-32-9
Livro em papel: 9 euros
Livro electrónico (ebook): 4,10 euros



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Recensões críticas e opiniões sobre a obra:

Li O Mar de Paula com muito interesse, alguma surpresa e genuíno apreço! É um excelente romance. Gostei bastante e a sua leitura tornou-se num agradável refrescar de conceitos pré-formatados que infelizmente abundam actualmente nas estantes das livrarias. Espero ir reencontrando Jorge Tinoco em novas obras de qualidade assim.

Gabriela Canavilhas, maio de 2012

Romance bem planeado e bem conduzido, com um desfecho surpreendente. Quando o leitor espera o desenlace de um convencional triângulo amoroso, eis que o autor, num golpe de inegável mestria, subverte a lógica narrativa, com as personagens a denunciarem-lhe o jogo e o arbítrio. Tanto assim é, que o último capítulo nos obriga a rever todo o devir ficcional e todos os esquemas e construções que o mesmo autor, capciosamente, nos insinuou. De modo que me interrogo se não estaremos perante um anti-romance: uma denúncia dos conteúdos e processos diegéticos de que a ficção, apesar das tentativas de ruptura e inovação, ainda não veio conseguindo até hoje libertar-se. São também abundantes as páginas de belo estilo, com passagens bem conseguidas de clima erótico, quer na crueza da liturgia sexual, quer no lirismo metafórico dos sentimentos, das sensações ou das emoções sinestésicas do amor sublimado. Além do mais, trata-se de uma obra sugestiva a partir do próprio título, o qual concentra desde logo a força e a determinação da Mulher e do Mar.

Cláudio Lima, 2010

Gostei do enredo e da forma como é desenvolvido, com capítulos intermitentes da personagem masculina e feminina. As situações são verosímeis e estão muito bem trabalhadas. O resultado é um livro que não desmerecerá estar junto de qualquer outro de um autor consagrado.

José Leon Machado, 2010

Um romance, de facto, com pernas para andar e características para fazer por seu próprio mérito um belo caminho. Assim o espero.

Agostinho Domingues, 2010

Da autoria de Jorge Tinoco, O Mar de Paula tem um final imprevisível e sublime. As palavras da narrativa centrada em mais de uma personagem, são fiadas numa sensibilidade acutilante e num estilo próprio, trazendo uma concepção de escrita que nos remete para um paraíso desconhecido. De facto, existe uma peculiaridade na escrita que a torna inconfundível e, provavelmente, será o ADN de Jorge Tinoco.

Daniel Silva (Lobinho), Fevereiro de 2011, blog Sair das Palavras

Assistimos a um monólogo interior, a duas vozes, excitadas e delirantes que, alternadamente, se vão instigando, em conjecturas e artimanhas, numa "faina emocional a desembocar na orla da loucura". O romance torna-se, assim, num estudo de psicologia masculina e feminina, no qual o elemento masculino percepciona pensamentos, emoções e excitações da companheira e vice-versa, numa toada de parada e resposta, onde o êxtase dá lugar ao vazio. A componente erótica, despida de preconceitos, na sua frieza e sublimação, condimentada a gosto (…), percorre praticamente toda a obra. (…)

Família e sociedade, ambientes, usos e costumes novos, em toda a sua actualidade, são outras vozes dialogantes. Predominam os espaços exteriores, com espelhos de água: espaços de confidencialidade e de tumescência dos mais espontâneos convites sexuais, leitos de libido e poesia.

Joaquim Gonçalves, excertos de um texto para revista da Escola Secundária de Amares, 2011

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