José Leon Machado

Literatura


A Forma de Olhar

de José Leon Machado

Neste livro conta-se a história de um estudante universitário que vai passar um mês a um campo de férias na França com um grupo de jovens de vários países. É um retrato de uma juventude que não sabe bem por que razão há fronteiras políticas, sociais, linguísticas e religiosas, as quais, apesar de tudo, não são impedimento para partilhar a alegria, o amor e a amizade. O autor, ora pela sua própria voz, ora pela voz da personagem principal, aproveita para descrever de um modo divertido o campo de férias e as relações entre as várias personagens.

capa de 'A Forma de Olhar'
Título: A Forma de Olhar
Autor: José Leon Machado
Género: romance
3.ª edição revista, 2012
Edições Vercial
N.º de páginas: 210
ISBN: 978-989-8392-05-3
Suporte: papel e ebook



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Recensões críticas e opiniões sobre a obra:

Neste romance A Forma de Olhar, agora em 2.ª edição, José Leon Machado (Braga, 1965) conta-nos a história de uma aventura de férias de um estudante português, jovem universitário que passa um mês de férias em França. Nesse campo de férias, o adolescente português convive com uma dúzia de jovens oriundos de várias nacionalidades.

Estamos assim perante uma viagem de verão sob a forma de aventura iniciática, à boa maneira do chamado "romance de formação", implicando o conhecimento do mundo e dos outros, numa teia de relações variadas. Ao mesmo tempo, este microcosmo juvenil questiona a Europa contemporânea, na medida em que este convívio permite o constante diálogo de línguas, culturas e valores, mas também de hábitos, costumes e imagens (ou estereótipos), numa constante re-descoberta do outro, isto é, das várias culturas em confronto.

A Forma de Olhar é uma narrativa segura e cativante, de um autor experimentado, com vários títulos publicados anteriormente, da ficção ao diário. Alternando dois pontos de vista – ora através de um narrador externo, ora do próprio protagonista (Filipe) –, proporciona-nos uma obra dotada de apreciável fluência narrativa, servida pelo humor e pela ironia frequentes, também eles congeniais a uma certa irreverência juvenil.

Cândido Oliveira Martins, Universidade Católica Portuguesa, 17-05-2011


A Forma de Olhar retrata a vida de um jovem estudante universitário: Filipe. Um romance em forma de diário: 1 de julho a 25 de julho. Filipe fora selecionado para ser o representante do seu distrito no Centro Internacional da Juventude em Arcachon, França. Iria para um campo de férias. Para o efeito, partira num comboio internacional. A ele juntar-se-iam jovens da Noruega, Holanda, França, Grécia, Turquia, Israel, Argélia e Portugal: um grupo de 14 jovens.

Estudante de Filosofia, Filipe ansiara por esta viagem. Aprecia a cultura, as caves vinícolas de Saint-Émilion, capital dos vinhos bordeaux daquela região, e os monumentos (a igreja gótica de St. Michel). Malgrado as fronteiras políticas, sociais, linguísticas e religiosas dos seus amigos, ele questionava-os sobre os seus costumes e as suas ideias. O diálogo foi uma forma de quebrar estas fronteiras que os separavam.

No decorrer da estadia, a sua atenção desperta por uma jovem turca, Aysun, que, na Turquia, significa "bela como a lua". Filha de pais cristãos, nascera em Istambul há dezanove anos. Estudava Farmácia, a caminho do seu segundo ano de faculdade. O seu exotismo excita-o. O romance denota o gosto do autor pelo perfil das mulheres, descrevendo-as minuciosamente: Aysun era doce, cheirosa, meiga, de pele macia, o cabelo em ondas curtas como as do mar em choque com a praia. Mais uma evidência da corrente pós-modernista: o mar e as suas comparações: o orgulho de ser português. No entanto, deixara para trás uma jovem que nunca esquecera: Clara, cujo reencontro ou uma nova reconciliação invade, ao longo de toda a obra, a sua mente.

Perante os colegas, e venerando sempre o mar, Filipe, em certas ocasiões, tal como acontece com Gonçalo em A Ilustre Casa de Ramires, queria demonstrar que era neto degenerado dos que deram mundos ao mundo. Os nossos navegadores portugueses são, mais uma vez, relembrados: "a Porta Cailhau, construída na altura em que os Portugueses descobriram o caminho marítimo para as Índias" (pág. 98). É referido que a Península Ibérica fora sempre uma região cobiçada pelos povos africanos e que os árabes invadiram Portugal: uma luta que perdurou mais de quinhentos anos. Deixaram algumas palavras iniciadas pela letra "a" como "azul": o azul do mar, referenciado na obra. No entanto, diz uma verdade que perdura até aos dias de hoje: "O nosso maior defeito é o complexo de inferioridade. O que vem de fora é que é bom, o que os outros têm é que é interessante" (pág. 121).

Filipe levara consigo O Castelo, de Kafka, mas a leitura entediava-o. Apreciador de filósofos, decide comprar algumas obras, nomeadamente, Conflito das Interpretações do Paul Ricoeur, a Teoria da Complexidade do Edgar Morin e O Estrangeiro de Albert Camus.

José Leon Machado, nesta obra, aproveita para abordar, tendo em conta as circunstâncias dos lugares visitados pela personagem principal, a II Guerra Mundial, pois na praia de Biscarosse, a alguns quilómetros a sul de Arcachon, existiam alguns vestígios desta horrenda guerra: "Ao lado havia uma nota de vinte escudos a comemorar o feito e dois selos do tempo de Salazar, um de cinquenta centavos, outro de um escudo" (pág. 136). "O que é certo é que não encontrei nenhum soldado alemão com a cruz sarcástica cosida na farda a fazer ronda à praia e a procurar entre os banhistas um possível circuncidado ou com expressão de agente de Résistance" (pág. 66).

Terminadas as férias, entra no comboio e abre o presente de Aysun: um cordão de prata a banho de ouro, na ponta uma medalhinha oval com a letra A. E, no decorrer da viagem, a sua esperança em reencontrar Clara mantém-se.

As influências do escritor continuam patentes em A Forma de Olhar. Ao longo da obra aparecem nomes como Luís de Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, etc.

A obra despoleta o gosto pelo desconhecido e pelas viagens, como acontece em Viagens na minha Terra de Almeida Garrett.

A minha frase predileta: "Amar é sentir o outro na ausência futura" (página 103).

Amar a literatura, digo eu, é uma forma de olhar para além-mar. Um mar que permitiu a união - mas também a desunião - dos povos.

Cristina Teixeira Pinto, 21-04-2013

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