José Leon Machado

Literatura


VÓRTICE

de José Leon Machado

O Dr. Leonel, médico de clínica geral, tinha como passatempos preferidos o ténis e o aeroclube. Piloto amador, era com prazer que levantava voo na avioneta que lhe estava atribuída e sobrevoava a cidade. Porém, numa tarde de tempestade, o aparelho acabou por se despenhar. Leonel sobreviveu com alguns arranhões e depressa se deu conta de que o tempo e o lugar não coincidiam com o seu: estava algures no passado. Ajudado por um carvoeiro, consegue hospedagem num convento de frades. As desconfianças, fruto dos preconceitos, instalam-se, e ele, com receio de ser preso, acaba por fugir. Acompanha-o Cremilde, a formosa filha do carvoeiro. Encontrará o termo das suas penas, quando, do fundo do mar, vem à superfície. Um estranho desígnio, que ele nunca chegou a compreender, estava na base de toda aquela aventura.

«Teria, por qualquer motivo desconhecido, ido parar a uma época que não era a sua? Ouvira falar em vórtices espácio-temporais e da possibilidade teórica de viagens no tempo. Chegara mesmo a ver diversos filmes que exploravam essa possibilidade. Ter-lhe-ia acontecido algo semelhante? De uma coisa tinha a certeza: não estava no futuro, como o sonho da noite anterior poderia sugerir. Estava algures no passado, exatamente no mesmo local que sobrevoara momentos depois de descolar da pista do aeródromo. Se assim era, não estava no outro lado da fronteira e aquele rei D. João que o carvoeiro referiu não era de forma alguma o rei espanhol D. Juan Carlos. Com esse nome, das aulas de História de Portugal, lembrava-se que havia pelo menos seis: D. João I, mestre de Avis, que derrotou os castelhanos na batalha de Aljubarrota em 1385; D. João II, que assinou o Tratado de Tordesilhas com os reis católicos de Espanha e que impulsionou os Descobrimentos; D. João III, que introduziu a Inquisição em Portugal (Deus o livrasse de ter ido para a essa época); D. João IV, duque de Bragança, que restaurou a independência de Portugal e expulsou os espanhóis; D. João V, que mandou construir o Convento de Mafra e reduziu o povo à escravidão e à miséria; finalmente D. João VI, que fugiu para o Brasil quando as tropas de Napoleão invadiram o país.»


capa de 'Vórtice'
Título: Vórtice
Autor: José Leon Machado
Género: romance
Edições Vercial, 2012
N.º de páginas: 302
ISBN: 978-989-700-172-7
Suporte: papel e ebook



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Recensões críticas e opiniões sobre a obra:

Acabei de ler o livro Vórtice do escritor José Leon Machado. Posso-vos dizer que é brutal e surpreendente, gostei muito e aconselho vivamente a leitura, é um verdadeiro livro de ficção científica, onde duas épocas distintas se fundem com a própria história de Portugal, é um livro que prende o leitor até ao final, não consegui parar de o ler até chegar ao fim para além disso é de muito fácil leitura pois tem capítulos curtos, lê-se num abrir e fechar de olhos.

Fiquei surpreendida com o final, ao longo da leitura do livro, eu pensei em vários finais diferentes que não aquele que foi escolhido. Foi uma leitura especial pelo facto de o enredo da história ser passado na nossa cidade (Chaves) precisamente em dois momentos distintos: século XXI e século XV. É excelente podermos imaginar como era a nossa cidade há 500 anos atrás e como é que as pessoas viviam, a linguagem usada pelo José Leon Machado é divinal retrata perfeitamente aquela época e consegue fazer com que o leitor entre na história, faça parte dela e consiga perfeitamente viver tudo aquilo que está a ser descrito. Confesso muito sinceramente que nunca tinha lido nenhum livro que tivesse a nossa cidade como protagonista. É um grande livro com uma história fabulosa.

Ana Dias, maio de 2013, @tual



O autor seleciona, nos documentos, nas memórias, nos relatos, na historiografia, e nos seus acontecimentos e ideias, conscientes e inconscientes sobre o passado, o material sobre o qual construirá seus enredos, protagonistas e paisagens.

Nesta obra, publicada no ano de 2012, José Leon Machado relata-nos a vida de um médico, – Dr. Leonel Martins –, a residir na cidade de Chaves. Piloto amador, homem do século XXI, numa tarde tempestuosa, a bordo de uma avioneta Cessna, acaba por se despenhar no Monte de São Lourenço, no dia 23 de junho, véspera de São João.

Bernaldo, o carvoeiro, um homem simples, acolhe-o em sua casa. Leonel desperta um interesse por Cremilde, filha deste que, com apenas 18 anos, idealizava a liberdade e aprendera a ler através de um exemplar do Demanda do Santo Graal.

Reparando nos trajes de Bernaldo e nas socas que usava, para além do aspeto asqueroso de seus dentes, Leonel apercebe-se de que se encontra numa outra época. Descobre com assombro que fora parar ao ano de 1487, finais do século XV, pouco antes de os portugueses partirem para a Índia. Melhor dizendo, fora parar ao reinado de D. João II, o mesmo que assinara o Tratado de Tordesilhas com os reis católicos de Espanha e que impulsionara os Descobrimentos. Para alguns, el-rei era O Príncipe Perfeito, para outros O Tirano.

Como teria ido, ali, parar? Recordava-se, na adolescência, da leitura do livro A Máquina do Tempo de H.G. Wells, tal como ouvira falar em vórtices espácio-temporais e da possibilidade teórica de viagens no tempo.

Mais tarde, chega-se a hospedar num convento de frades, onde procedem à impressão de o Sacramental de Clemente Sánchez (um clérigo leonês que viveu entre o século XIV e XV): um dos livros mais lidos durante o século XV, tendo sido proibido pela Inquisição no século XIV e queimado.

Leonel, que se apresenta como físico, começa a ajudar as pessoas que precisam dos seus serviços médicos. Mas o Cessna, aos olhos de quem o viu e o denominou de Barco Voador, tornara-se um perigo: como poderia ele explicar que era um homem oriundo do futuro? Seria certamente perseguido e incompreendido. O alcaide, o coudel, os oficiais, cavaleiros da guarda do castelo, o juiz, o procurador e Frei Bartolomeu queriam, a todo o custo, averiguar de onde viera o tal pássaro, o dragão, ou seja, a avioneta Cessna. Frei Bartolomeu dissertou acerca da possibilidade de o homem, um dia, vir a poder voar e ultrapassar as barreiras do espaço e do tempo.

Após ter descoberto o telemóvel e o relógio, Cremilde confronta Leonel e este revela-lhe a verdade.

Um dia, Leonel recebera uma mensagem no seu telemóvel com os seguintes números: 38.702659/-9.162598;-33.906896/18.391113. Que estranho! Seriam coordenadas?

Numa fase posterior, Leonel e Cremilde casam-se e dirigem-se a casa de um dos irmãos de Bernaldo, em Lisboa, onde ficam hospedados. Leonel consegue um trabalho como Calafate, e embarca com Bartolomeu Dias, o capitão da armada a que pertencia a caravela em construção, cuja função era a de descobrir uma passagem no corno de África para o Mar Índico. O capitão necessitava urgentemente de um físico para a armada e, como Leonel afirmara que era cristão e não judeu, o que poderia suscitar inconvenientes, Bartolomeu não vira quaisquer problemas e aceitou-o como seu físico. Oriundo do futuro, Leonel ansiara revelar alguns segredos, contudo, não o poderia fazer.

Pouco depois de passar a Angra dos Ilhéus, uma tempestade, que durara treze dias, fez com que Leonel fosse projetado borda fora. Prestes a afogar-se, depara-se, sem saber como, no seu Cessna e, para o seu espanto, com Cremilde a seu lado. Mas como? Esta confessara-lhe que rezara muito à Nossa Senhora dos Navegantes. Encontrava-se onde tanto desejara: na cidade de Chaves, no século XXI, na companhia de sua amada que, doravante, teria que se adaptar ao século onde fora parar.

Vórtice trata-se de um romance histórico, em que a produção deste exigiu que o ficcionista realizasse investigação sistemática sobre a época que abordou. O facto de que esse estudo seja mediado pela sua sensibilidade e instinto artísticos não dilui o facto de que, nesse momento da produção, realiza, consciente ou inconscientemente, o trabalho do historiador, isto é, o desvelamento essencial do passado.

Um romance histórico que nos faz recuar 524 anos e que nos prende incondicionalmente.

Cristina Teixeira Pinto, abril de 2013



Vórtice tem passagens muito engraçadas e dei por mim a rir enquanto lia. É outro livro muito bom do autor. Nota-se que a maturidade lhe trouxe mais sabedoria. Sobretudo quando descreve os sentimentos e pensamentos das personagens. Estas sabem o que querem e para onde vão. O autor aproveita para fazer uma crítica a certos comportamentos culturais portugueses muito a propósito. Também partilhou um pouco do seu saber quando descreve as diferenças entre a linguagem mediaval e a atual. E prende-nos do príncípio ao fim. O romance termina de uma maneira abrupta e supreendente.

Maria Antonieta da Costa, novembro de 2014


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